Este é o BLOG de um SURDO que se orgulha de Ser Surdo, Ser Tripeiro, Ser Dragão e Ser Nortenho, não necessariamente por esta ordem, e também um profundo defensor do Regionalismo e inimigo fidagal do Centralismo de Lisboa
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.» José Saramago - Cadernos de Lanzarote - Diário III - pag. 148
“Não há ninguém que veja o mundo com uma visão pura de preconceitos. Vê-o sim, com o espírito condicionado por um conjunto definido de costumes e instituições e modos de pensar.
(…) A história de Vida individual de cada pessoa é, acima de tudo, uma acomodação aos padrões (de forma e de medida) tradicionalmente transmitidos na sua comunidade de geração para geração.
Desde que o indivíduo vem ao mundo, os costumes do ambiente em que nasceu moldam a sua experiência dos factos e a sua conduta”.
Ruth Benedict (1977) Padrões de Cultura
Os padrões são as normas, são as regras. A passagem do tempo altera os padrões. O padrão, a norma, é aquilo que modela a nossa maneira social de ser.
"Cidadania" é um termo cujo significado filosófico difere do seu uso quotidiano. No discurso quotidiano, a cidadania é entendida como sinónimo de "nacionalidade", referindo-se ao estatuto legal das pessoas enquanto membro de um país em particular.
SER CIDADÃO
Ser um cidadão implica ter certos direitos e responsabilidades, mas estes variam imenso de país para país, de região para região, de maioria para minoria(s)…
Nos contextos filosóficos, a cidadania refere-se a um ideal normativo substancial de pertença e participação numa comunidade política. Ser um cidadão, neste sentido, é ser reconhecido como um membro pleno e igual da sociedade, com o direito de participar no processo político. Como tal, trata-se de um ideal totalmente democrático.
A CONCEPÇÃO DE “CIDADANIA COMO DIREITOS”
Numa concepção de "cidadania como direitos", na perspectiva de T.H.Marshall (1950), os direitos de cidadania têm três categorias: direitos civis, que surgiram na Inglaterra no século XVIII; direitos políticos, que surgiram no século XIX; e direitos sociais — por exemplo, a educação, saúde, fundo de desemprego e reforma — que se estabeleceram no século XX. Ou seja para Marshall, o culminar do ideal de cidadania é o estado-providência. Ao garantir direitos civis, políticos e sociais a TODOS, o estado-providência assegura que todos os membros da sociedade podem participar plenamente na vida comum da sociedade.
A CIDADANIA É…
A cidadania não é apenas um estatuto, definido por um conjunto de direitos e responsabilidades. É também uma identidade, uma expressão da nossa pertença a uma determinada comunidade. Além disso, é uma identidade partilhada, comum a diversos grupos na sociedade. Logo, a cidadania tem uma função integradora.
A CIDADANIA E OS GRUPOS MINORITÁRIOS “EXCLUÍDOS”
Alargar os direitos de cidadania pode ajudar a integrar grupos previamente excluídos, como a Comunidade Surda, na Sociedade.
Em Portugal a Comunidade Surda sente-se ainda sente-se ainda bastante excluída do seio da sociedade, apesar de possuir direitos iguais de cidadania.
A verdadeira Cidadania terá de reflectir a verdadeira identidade sociolinguística e as formas de sub-cultura que nos distingue, as nossas "diferenças".
OS DIREITOS COMUNS DE CIDADANIA E AS PESSOAS SURDAS
Penso que os direitos comuns de cidadania, definidos pela Sociedade ouvinte, e FEITOS para ela, só permite que a Comunidade Surda possa integrar-se completamente através do que Iris Marion Young chama "cidadania diferenciada" (1989).
Isto é, os membros da Comunidade Surda devem ser integrados na Sociedade não apenas enquanto indivíduos, mas também através do grupo, e os seus direitos devem depender em parte da sua pertença ao grupo, ou seja “todos no mesmo saco”.
ONDE ESTÁ A CIDADANIA DOS CIDADÃOS SURDOS?
Onde está então a nossa Cidadania? Eu muitas das vezes sinto-me um Cidadão de segunda, de terceira, ou seja um cidadão com deveres mas quase sem direitos…
Como Pessoas Surdas apenas exigimos os nossos direitos de maior inclusão, e maior participação, nas decisões da Sociedade.
Sentimo-nos sub-representados no processo político, queremos que o Currículo Escolar reconheça a especificidade da nossa Comunidade e nos proporcione um Ensino que nos permita um total acesso a uma Total Cidadania.
Defendemos que é necessário o reconhecimento e a aceitação plena da nossa "diferença" para assegurar uma real integração…
O vídeo anexo é esclarecedor... Confesso que aquando da Campanha nada entendi da Tradução em LGP nem conheço a "Intérprete" de LGP em questão...
A Comissão Nacional de Eleições deve ter em consideração sempre a qualidade do Trabalho em LGP e para impedir a repetição de "coisas" como estas deverá contratar Profissionais que dignifiquem a Classe pois pelo que podem constatar não é este o caso...
Como disseram muitas Pessoas Surdas: "É uma Intérprete ou é um Bicho?"